Profissionais e cuidadores participam de capacitação sobre impactos climáticos na saúde da população idosa

Secretaria da Longevidade

27 de agosto de 2026
Camilla Taceli explicou que objetivo é capacitar cuidadores, familiares e até mesmo os próprios idosos

Os idosos estão entre as populações mais vulneráveis aos impactos dos eventos climáticos extremos, sofrendo com aumento dos casos de internações, complicações graves de saúde e taxas de mortalidade. Isso acontece devido a uma combinação de fragilidades fisiológicas naturais do envelhecimento e a maior prevalência de doenças crônicas.

Pensando nisso, diante dos eventos climáticos previstos para os próximos meses por conta do El Niño, fenômeno que se consolidou rapidamente e deve atingir seu pico de intensidade entre o fim deste ano e o início de 2027, a Prefeitura de Mogi das Cruzes, por meio da Secretaria Municipal da Longevidade e em parceria com as secretarias do Clima e Meio Ambiente e de Saúde e Bem-Estar, realizou nesta manhã de quinta-feira (27/08) a capacitação “Os impactos dos eventos climáticos na saúde da população idosa”.

“O calor excessivo pode representar uma emergência médica silenciosa para os mais velhos. Com o avanço da idade, o organismo reduz a capacidade de regular a própria temperatura e os receptores neurológicos ficam menos sensíveis, fazendo com que o idoso não sinta sede”, pontuou a médica geriatra Ana Carolina Dias Costa, pós-graduada em Cuidados Paliativos pelo Hospital Sírio-Libanês.

Na abertura do evento, a secretária municipal de Longevidade, Camilla Taceli, explicou a proposta da capacitação. “Nosso objetivo é manter os cuidadores, familiares e até mesmo os próprios idosos atentos aos cuidados necessários para prevenir problemas de saúde diante das altas temperaturas”, explicou.

A Secretaria da Longevidade preparou um cartaz que foi entregue aos participantes, com detalhes sobre situações e cuidados. O principal alerta é para a hidratação, orientando as pessoas idosas para o consumo de água várias vezes ao dia, mesmo sem sentir sede. Outro cuidado é para manter os ambientes ventilados e frescos, usando ar-condicionado, ventilador ou recursos caseiros como colocar panos úmidos no rosto, punhos e pescoços em dias mais quentes.

Alguns sinais de alerta que precisam ser verificados são: fraqueza, tontura, dor de cabeça, náusea, cãibras, confusão, desmaio, pele muito quente , falta de ar ou piora de doença crônica. Nestes casos, a orientação é acionar o Samu pelo telefone 192.

Durante o encontro, realizado no prédio II da Prefeitura, também foi apresentada a pesquisa “A percepção das pessoas idosas diante das ondas de frio e calor”, conduzida pela psicóloga Marcela Bezerra Dias, mestre em Ciências da Saúde e doutoranda em Desastres pela UNESP/CEMADEN, e pelo psicólogo Wagner Dias, colaborador da pesquisa.

Além das mudanças físicas, o tema mostrou questões comportamentais já que é comum entre os idosos minimizarem o impacto das mudanças climáticas, encarando o calor ou o frio extremo como "coisas da idade" e demorando a pedir ajuda ou a adotar medidas de proteção. A capacitação foi alinhada às orientações do Sistema Único de Saúde (SUS) para prevenção, preparação e resposta às emergências climáticas.