Terminologias


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Acidente Vascular Cerebral (AVC ) O acidente vascular cerebral (AVC), conhecido popularmente como derrame cerebral, pode ser de dois tipos: a) Acidente Vascular Isquêmico  falta de circulação numa área do cérebro, provocada por obstrução de uma ou mais artérias por ateromas, trombose ou embolia. Ocorre, em geral, em pessoas mais velhas, com diabetes, colesterol elevado, hipertensão arterial, problemas vasculares e fumantes. b) Acidente Vascular Hemorrágico – sangramento cerebral provocado pelo rompimento de uma artéria ou vaso sanguíneo, em virtude de hipertensão arterial, problemas na coagulação do sangue, traumatismos. Pode ocorrer em pessoas mais jovens e a evolução é mais grave.

Ajudas Técnicas As também chamadas Tecnologias Assistivas são equipamentos, produtos ou sistemas capazes de contribuir para o pleno desenvolvimento das pessoas com deficiência. Proporcionam equiparação de oportunidades, autonomia e qualidade de vida por meio de acesso a processos e bens já utilizados pela comunidade. Ex.: cadeira de rodas, próteses, etc.

Aleijado Não use, exceto ao reproduzir declaração textual. Se for importante para o contexto da notícia, procure dar uma descrição objetiva: cego do olho direito; tetraplégico; que tem a perna direita atrofiada por consequência de poliomielite.

Amputação Remoção de uma extremidade do corpo através de cirurgia ou por acidente. Na medicina, é usada para controlar a dor ou a doença no membro afetado, como no câncer e na gangrena. Preste atenção para não confundir com malformação congênita. Ver má formação congênita.

Anão Evite o uso da palavra anão. Prefira pessoa com nanismo ou que tem nanismo, ou pequenos. São consideradas com nanismo as pessoas com estatura reduzida, entre 70cm e 1,40m na idade adulta. Por conta da altura, essas pessoas têm sérias dificuldades de locomoção em cidades planejadas para indivíduos com média ou alta estatura. A observação de que este grupo também precisa de acessos o levou a ser considerado como pessoas com deficiência pelo Decreto Federal 5.296/2004. Tão grave quanto às dificuldades de acesso arquitetônico é o preconceito que pessoas com baixa estatura enfrentam por terem sua imagem associada ao humor, à infantilização ou a diversas formas de exploração e desrespeito.

Anomalia genética A palavra anomalia deve ser evitada. A expressão síndrome genética é a mais indicada. Para não repeti-la, pode-se usar alteração, condição ou situação genética. Por exemplo: Segundo os médicos, Fátima, que tem uma síndrome genética rara, teve um desenvolvimento superior ao de pessoas na mesma condição.

Aparelho auditivo geralmente usado por pessoas com deficiência auditiva (Ver surdo e Ver deficiência auditiva). Na maioria dos casos, não devolve a integralidade dos sons, mas possibilita que sejam detectados ruídos que facilitam a comunicação.

Atleta e não paratleta ou para-atleta. Exemplos: atleta com deficiência, atleta paralímpico, velocista cego, nadador surdo, judoca que tem síndrome de Down, atletas com e sem defi - ciência, surfista com amputação da perna esquerda, lutador com deficiência intelectual.

Atleta-guia Responsável por acompanhar o atleta cego ou com baixa visão em treinos e provas. Ele deve dar comandos precisos quando, por exemplo, se inicia uma reta na pista ou uma curva se aproxima, além de avisar quando está chegando a reta final. Desde 2011, o atleta-guia, que corre ao lado do atleta cego nas paralimpíadas, também recebe medalha. A criação do prêmio para incentivar os guias foi anunciada no Mundial de Atletismo da Nova Zelândia. Exemplo: A triatleta Marleide da Silva, que disputa as provas do triathlon (ciclismo, natação e corrida) em sua categoria (classe TRI-6a – cega total), acompanhada da atleta-guia Verônica Martins, faturou a medalha de bronze no Mundial de Paratriathlon, em Londres.

Audiodescrição e não áudio descrição ou áudio-descrição – Recurso de acessibilidade ao telespectador cego ou com baixa visão que permite que ele receba a informação contida na imagem ao mesmo tempo em que esta aparece, possibilitando que a pessoa com deficiência visual desfrute integral - mente do conteúdo e capte a subjetividade da narrativa da mesma forma que alguém que enxerga. Trata-se da descrição objetiva de todas as informações compreendidas visualmente e que não estão contidas nos diálogos ou locuções em off, como expressões faciais e corporais que comuniquem algo, informações sobre o ambiente, mudanças de tempo e espaço, além da leitura de créditos, títulos e qualquer informação escrita na tela. As descrições acontecem nos espaços entre os diálogos e nas pausas entre as informações sonoras, nunca se sobrepondo ao conteúdo sonoro relevante.

Autismo Transtorno do Espectro Autista é definido pela presença de “déficits persistentes na comunicação e interação social em múltiplos contextos”. A ciência ainda não conhece a causa do autismo, mas sabe-se que ele afeta quatro a cinco vezes mais meninos do que meninas. Exemplo: Andrea, 19, que tem autismo, trabalha no departamento financeiro do supermercado do bairro onde mora.

Baixa visão Comprometimento do funcionamento visual dos olhos, mesmo após tratamento ou correção. As pessoas com baixa visão podem ler textos impressos ampliados ou com uso de recursos óticos especiais.

Braille ou Braile Sistema de leitura por meio do tato que reproduz o alfabeto em caracteres impressos em relevo no papel. Utilizado por pessoas cegas, principalmente por aquelas que nasceram cegas ou ficaram cegas na infância, o braile foi inventado pelo francês Louis Braille em 1829. Curiosidade: Uma pessoa cega experiente pode ler duzentas palavras por minuto.

Bengala Instrumento frequentemente usado pelas pessoas cegas ou com baixa visão para conquistar autonomia de loco - moção em ambientes fechados e também em áreas urbanas. A pessoa cega passa por um treinamento de orientação e mobilidade para aprender a utilizar a bengala e reconhecer a presença de degraus, obstáculos e estreitamento do percurso. Há também a versão da bengala utilizada com função de apoio para evitar a queda de pessoas com dificuldades motoras. Atenção para não confundir com muletas.

Cadeira-anfíbia Cadeira de rodas fabricada em plástico leve e resistente, com rodas pequenas e largas que facilitam o transporte de pessoas com deficiência física, em especial as pessoas em cadeira de rodas, em percursos de areia. O equipamento serve para levar as pessoas até o mar, sendo possível também utilizá-la dentro da água.

Cadeira motorizada e não cadeira elétrica. A não ser que a pessoa em questão tenha sido condenada à morte nos Estados Unidos ou em outro país em que a pena de morte é executada por esse meio.

Cão de assistência Cães treinados para oferecer suporte e assistência a pessoas com deficiência na vida diária. Os cães de assistência para pessoas surdas reagem a ruídos para avisar seu dono que uma informação sonora está acontecendo. Por exemplo, ele deve pular em cima da cama assim que o despertador tocar, puxar a perna da calça de seu dono quando alguém tocar a campainha, ou tocar sua mão para avisá-lo da aproximação de uma pessoa. Já os cães treinados para dar assistência a pessoas com deficiência física podem pegar um objeto que tenha caído no chão, trazer objetos como telefone, abrir e fechar portas, acender e apagar a luz, ajudar a mover a cadeira de rodas em lugares de difícil acesso, etc. Em todos os casos, assim como com o cão-guia de pessoas cegas, resista à tentação de fazer carinho ou distrair o cachorro, pois essa atitude vai desconcentrá-lo e atrapalhar seu trabalho. Pergunte ao seu dono se pode e quando pode interagir com essa fofura.

Cão-guia Tipo de cão de assistência treinado para guiar pessoas com deficiência visual. Na maioria dos países, sua presença é aceita em qualquer lugar público e eles podem ajudar seus donos a ir a qualquer lugar. Para isso, um cão-guia deve saber: manter-se em uma rota direta, ignorando distrações como cheiros, outros animais e pessoas; manter um passo firme, à esquerda e um pouco à frente do seu acompanhante; reconhecer e evitar obstáculos ao acompanhante (passagens estreitas e obstáculos aéreos, como batentes baixos); parar no pé e no topo de escadas até receber ordem para prosseguir; levar o acompanhante aos  botões do elevador; deitar em silêncio quando o acompanhante estiver sentado; ajudar o acompanhante a subir e movimentar-se em ônibus, metrô e outras formas de transporte público; obedecer a vários comandos verbais. Não brinque, toque ou distraia o cão-guia, pois desconcentrá-lo atrapalhará o seu trabalho. Pergunte ao seu dono se e quando você pode interagir com o animal.

Capacitismo É o preconceito e a discriminação contra a pessoa com deficiência que, por conta da deficiência é considerada uma pessoa incapaz. A sociedade capacitista entende a deficiência como algo a ser corrigido, superado.

Cego A palavra cego pode ser usada sem restrições. Exemplos: Paula Laranjeira, que é cega, se formou em direito no ano passado. O publicitário Pierre Klein ficou cego aos seis anos de idade por causa de catarata congênita. Quando Rita teve retinose pigmentar, foi perdendo a visão aos poucos e sabia que logo ficaria cega.

Cegueira Perda total da visão ou pouquíssima capacidade de enxergar, o que pode levar a pessoa a precisar do Sistema Braille como meio de leitura e escrita. Exemplo: A cegueira chegou à vida de André quando ele tinha quatro anos, antes dele ser alfabetizado. Suas primeiras palavras foram escritas em Braille.

Cultura surda Para grande parte da comunidade surda, a surdez não significa uma deficiência. Estas pessoas percebem a surdez como característica de pertencimento a uma comunidade com cultura própria. Esse aspecto torna a surdez única entre os tipos de deficiência. A cultura surda é mais forte entre aqueles que se desenvolveram tendo a língua de sinais como idioma principal. É esse vínculo linguístico, talvez mais do que outros fatores, que liga os membros dessa comunidade. Existe um sentimento de orgulho entre as pessoas surdas. Surdez é muito mais do que um fenômeno fisiológico. É um modo de vida.

Defeituoso Não use esta expressão para se referir às pessoas com deficiência, exceto ao reproduzir declaração textual. Use pessoa com deficiência física. Se for importante, é possível especificar mais. Exemplos: criança que nasceu com malformação no braço esquerdo, ciclista com amputação do pé direito, aluno com atrofia nas mãos.

Desenho universal O conceito de desenho universal se propõe a gerar ambientes, serviços, programas e tecnologias acessíveis, utilizáveis equitativamente, de forma segura e autônoma, por todas as pessoas na maior extensão possível sem que precisem ser adaptados ou readaptados especificamente. O desenho universal engloba e avança conceitualmente em relação à acessibilidade e às ajudas técnicas. O propósito do desenho universal é atender às diversas necessidades e viabilizar a participação social e o acesso a bens e ser - viços à maior gama possível de usuários.

Doença x Deficiência Doença é uma alteração biológica do estado de saúde, manifestada por um conjunto de sintomas. Cuidado: a maior parte das pessoas com deficiência goza de boa saúde. Muitas praticam esporte e cultivam hábitos de vida saudável. Um texto que confunde deficiência com doença reforça a ideia de que, para inserir uma pessoa com deficiência na sociedade, é necessário curá-la. A deficiência é uma condição, não uma doença que possa ser curada. É verdade que a deficiência pode ser, em alguns casos, consequência de uma doença anterior que a provoque como sequela. Mesmo assim, recomenda-se cuidado para diferenciar uma situação da outra.

Eficiente Evite trocadilhos com as palavras deficiente e eficiente, mesmo com a intenção de valorizar a pessoa com deficiência. O antônimo de eficiência é ineficiência. O uso do termo deficiente é considerado pejorativo e, portanto, desaconselhável.

Especial Não use esta expressão, exceto ao reproduzir declaração textual. Descreva a pessoa com deficiência de acordo com a sua especificidade. O termo especial foi criado com o objetivo de valorizar a pessoa com deficiência. Mas, reflita: se, para valorizar a pessoa, é necessário suprimir o uso da palavra deficiência, parte-se da ideia de que a deficiência é uma característica negativa. Ver pessoa com deficiência Se for importante para o contexto da notícia, procure uma descrição objetiva. Exemplo: cego do olho direito; tetraplégico; que tem a per - na direita atrofiada por causa de poliomielite.

Exemplo de superação Fuja desse jargão desgastado pelo uso excessivo. Opte por expressões que descrevam a “superação” especificamente ou, caso seja mais adequado ao texto, utilize outras palavras como inspiração, realização, persistência, sucesso e outras que ilustrem as conquistas do personagem e despertem a empatia do telespectador.

Hemiplegia Tipo de paralisia cerebral que atinge um dos lados do corpo, deixando-o paralisado. Pode ser causada por lesões cerebrais, hemorragia, sendo comum após um acidente vascular cerebral (AVC).

Intérprete de Libras Profissional capacitado e/ou habilitado em processos de interpretação da Língua Brasileira de Sinais, que deve ter titulação, certificação e registro profissional para atuar.

Integração A integração está pautada em um padrão de normalização, em que somente as pessoas com deficiência precisam se adaptar aos modelos e padrões da sociedade. A sociedade não precisa se modificar. Na integração, a inserção é parcial e condicional, por exemplo, as crianças “se preparam” em escolas ou classes especiais para, posteriormente, chegarem a um padrão mínimo estabelecido de normalidade que lhes permita frequentar escolas ou classes regulares.

Inclusão Na inclusão, a sociedade compreende a diversidade humana e se modifica para atender às necessidades das pessoas com deficiência e, com isso, se torna mais atenta às necessidades de TODOS. Na inclusão, a inserção é total e in - condicional, por exemplo, crianças com deficiência não precisam “se preparar” para ir à escola regular, pois a escola e os professores se modificam para acolher e ensinar alunos com e sem deficiência.

Lesão medular Ferimento na medula espinhal que pode ser causado por trauma (queda, acidente de carro ou moto, arma de fogo, tumores na coluna ou lesões de outras origens que ocasionam paraplegia ou tetraplegia, dependendo do local na coluna em que a medula foi lesada). Quanto mais alta (perto da cabeça) for a lesão, maior será a área do corpo atingida pelas limitações de movimento e/ou sensibilidade. Não é adequada a expressão “lesado medular”. Exemplos: Daniela, que tem lesão medular desde os 18 anos, ganhou uma nova cadeira de rodas em seu aniversário de 23; O disparo atingiu a coluna de Luís e causou lesão medular; A tetraplegia de Marcela é consequência de lesão medular.

Língua de sinais e não linguagem de sinais – Use sempre língua, nunca linguagem. Diferente do que muitos imaginam, a língua de sinais não é universal. Cada país possui sua própria língua de sinais. Nos Estados Unidos, por exemplo, as pessoas surdas se comunicam por meio da LSA – American Sign Language (Língua Americana de Sinais). No Brasil, a comunidade surda se comunica em Libras – Língua Brasileira de Sinais, na França, o idioma é a LSF – Langue des Signes Française (Língua Francesa de Sinais), e assim por diante.

Libras A Libras, sigla para Língua Brasileira de Sinais, não é uma linguagem, mas uma língua. Existem outras formas de linguagem envolvendo ou não pessoas surdas, como a linguagem gestual e a corporal, a linguagem digital, etc. A Libras é um idioma tão oficial quanto a língua portuguesa no Brasil. Em cada país, as comunidades surdas possuem sua própria língua de sinais, assim como acontece com a língua falada dos ouvintes.

Má formação congênita Condição presente desde o nasci - mento, ocasionada por uma alteração durante o desenvolvimento fetal. As malformações congênitas dos membros estão entre as mais comuns e podem ter semelhança visual com amputações. Por isso é importante certificar-se do tipo de deficiência que a pessoa possui.

Muleta Instrumento geralmente utilizado por pessoas com amputação em uma ou ambas as pernas ou que caminham com suporte de órteses. Cuidado para não confundir com bengala.

Necessidades especiais Não use para se referir às pessoas com deficiência. A expressão, já desgastada pelo uso equivocado e excessivo, foi criada a partir de “necessidades educacionais especiais”. A intenção de generalizar o uso banalizou o conceito. Mesmo no caso da educação, é preferível dizer “necessidades educacionais específicas”.

Normal No âmbito das reflexões sobre diversidade e diferenças humanas, não cabe a expressão “normalidade”. Prefira usar “pessoa sem deficiência” e não “pessoa normal”.

Órtese Equipamentos que complementam uma função do corpo, como a cadeira de rodas e as muletas, por exemplo, que de volvem a capacidade de locomoção às pessoas com deficiência física. Outro exemplo são os óculos que melhoram a capacidade visual de uma pessoa com miopia – essa é uma órtese que muita gente usa.

Ouvinte Expressão frequentemente utilizada por pessoas surdas e profissionais da área da surdez para se referir às pessoas sem deficiência auditiva, que ouvem normalmente. Exemplos: Clarice, que é surda e estuda em uma escola regular inclusiva, conta com uma intérprete de LIBRAS para mediar as conversas com o professor e os colegas ouvintes; Filha de mãe surda e pai ouvinte, Regina aprendeu desde cedo a se comunicar em sinais.

Paralimpíada e paraolimpíada Até a edição de 2008, as Paralimpíadas, jogos esportivos envolvendo pessoas com algum tipo de deficiência, eram chamadas no Brasil de Paraolimpíadas. No entanto, em novembro de 2011, durante o lançamento da logomarca dos Jogos Paralímpicos de 2016, no Rio, o nome dos jogos perdeu a letra “o” e passou a ser chamado de Paralimpíadas a pedido do Comitê Paralímpico Internacional. A intenção foi igualar o nome ao uso de todos os outros países de língua portuguesa: Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste, onde já se usava o termo Paralimpíadas.

Paratleta  Não use esta palavra para designar um atleta com deficiência. Ele é um atleta. Exemplo: Nesse sábado (15), o atleta Francisco da Silva, velocista do Clube Itapema, venceu o Circuito Caixa Paralímpico, na prova de 100 metros.

Paradesporto O esporte para pessoas com deficiência nasceu no Brasil em 1958, com a fundação do Clube do Otimismo na cidade do Rio de Janeiro. Em 1975, foi fundada a ANDE – Associação Nacional de Desporto para o Excepcional, que agregava todo tipo de deficiência. Com o crescimento da participação de atletas com as mais diversas deficiências, as entidades representantes foram se tornando cada vez mais especializadas. Surgiram assim a Associação Brasileira de Desportos de Cegos (ABCD); a Associação Brasileira de Des porto para amputados (ABDA); a Associação Brasileira de Desportos para Deficientes Mentais (ABDEM), entre outras. Em 1995 foi criado o Comitê Paraolímpico Brasileiro.

Portador de deficiência A palavra ‘portador’ não deve ser usada porque a deficiência, sendo uma das características possíveis à condição humana, não é carregada por quem a possui. Não se utilizam expressões como ‘portador de olhos azuis’, pois quando alguém tem olhos azuis é impossível dissociarmos a cor de seus olhos de sua constituição como pessoa.

Preso a uma cadeira de rodas fuja deste jargão. Além de desgastado pelo uso excessivo, não retrata a relação que a maioria das pessoas tem com a cadeira de rodas. A cadeira de rodas é um instrumento libertador, na medida em que de - volve à pessoa com deficiência física a sua capacidade de se locomover e, assim, participar da vida social.

Prótese equipamento que substitui uma parte do corpo humano e pode ser implantada ou não. Um amputado, por exemplo, pode usar o recurso da prótese para colocar uma perna ou uma mão mecânica.

Sorobã (ou ábaco) Aparelho de cálculo de origem japonesa que é frequentemente usado por pessoas com deficiência visual. O aparelho serve como máquina de calcular de grande rapidez, de maneira simples. Com ele, a pessoa cega pode escrever números e realizar cálculos matemáticos na mesma velocidade ou até mesmo mais rápido que um vidente escreve a lápis no caderno.

Superação Palavra desgastada pelo uso excessivamente associado às pessoas com deficiência que pode ser usada, mas com atenção e critério. A superação é uma possibilidade hu - mana. Cuidado para não superestimar o exercício de atividades corriqueiras de alguém com deficiência. Expressões como inspiração, persistência ou até mesmo superação podem ser usadas para descrever conquistas de pessoas com deficiência de acordo com a relevância real da realização.

Surdo Pessoa com surdez, sem resíduo auditivo. Existem duas correntes de educação de pessoas surdas. Uma defende a oralização, com base na educação da criança surda por meio da língua portuguesa, com aprendizado da leitura labial e treino para desenvolver a voz e a fala como recurso de comunicação com o mundo ouvinte. A outra defende a educação pela Libras – Língua Brasileira de Sinais, como primeira língua, baseando-se na ideia de que a língua oral não faz sentido para a pessoa surda e que seu desenvolvimento é mais eficiente por meio da língua gestual, já que a comunicação visual é sua tendência natural, tendo a língua portuguesa como segunda língua.

Surdo-mudo Surdo-mudo não existe. Jamais use esta expressão. O fato de a maioria das pessoas “falarem pela boca” não torna essa forma de expressão mais importante. Para uma pessoa surda é difícil falar o português, sendo natural que opte pela Língua Brasileira de Sinais (Libras). Nesse caso, não é muda, apenas surda.

Surdocego É uma deficiência particular que associa a perda da audição e da visão em diferentes graus. Há tempos, essa deficiência era considerada como deficiência múltipla sensorial, mas suas particularidades comunicacionais estabeleceram a necessidade de uma designação específica. A surdocegueira é a deficiência sensorial em sua plenitude, pois o contato com o mundo exterior pode ser totalmente limitado. Pessoas que têm surdocegueira podem apresentar diferentes níveis da deficiência. Há surdocego que enxerga pouco e não ouve nada, bem como quem ouve um pouco e não enxerga nada. Há também quem não pode ouvir nem ver completamente nada.

Surdo oralizado É a pessoa surda que utiliza a língua oral para se comunicar e compreende a fala por meio da leitura labial. Há pessoas surdas que sabem ler, escrever e falar fluentemente a língua portuguesa. Mas há também as que sabem ler e escrever, mas não são fluentes na fala. O denominador comum deste grupo é o uso da língua falada como meio de comunicação. Não fique constrangido se precisar pedir que ela repita as frases caso não tenha entendido alguma coisa. A maioria das pessoas surdas têm consciência da própria dicção e não se incomodam de repetir até que se entenda o que querem falar. Uma curiosidade: pessoas que usam bigode comprido são interlocutores impossíveis para pessoas surdas, pois os lábios cobertos inviabilizam a leitura labial.

Tecnologia Assistiva Área do conhecimento, de característica interdisciplinar, que engloba produtos, recursos, metodologias, estratégias, práticas e serviços que objetivam promover a funcionalidade, relacionada à atividade e participação de pessoas com deficiência, incapacidades ou mobilidade reduzida, visando sua autonomia, independência, qualidade de vida e inclusão social.

Tetraplegia paralisia total ou parcial dos movimentos e/ou sensibilidade dos quatro membros, geralmente causada por lesão medular, na altura da coluna cervical, ou por alguma desordem neurológica.  É preferível dizer que a pessoa possui tetraplegia e evitar a palavra tetraplégico ou tetraplégica. Atenção para não confundir com paraplegia. Ver paraplegia Exemplo: O artista plástico Ronaldo Bernardes, que tem tetraplegia há quatro anos, aprovou a cadeira-anfíbia. Com ela, no último domingo, Bernardes entrou no mar pela primeira vez depois do acidente.

Tadoma técnica de comunicação utilizada por surdocegos por meio de um intérprete, que consiste na percepção da mão da pessoa surdocega posicionada sobre a boca de quem fala para sentir a vibração das palavras.

Transtorno Mental Terminologia indicada para situações associadas a doenças mentais. São pacientes com sofrimento psíquico associado a quadros de depressão, síndrome do pânico, esquizofrenia, etc. Não use esta expressão para se referir a alguém com deficiência intelectual, a não ser que esta pessoa também possua alguma doença da área psiquiátrica.

Vidente Expressão frequentemente utilizada por pessoas cegas e profissionais da área da inclusão para se referir às pessoas sem deficiência visual, que enxergam. Exemplo: Renato, que é uma pessoa cega, chamou a namorada vidente pelo Skype para conferir se sua gravata combinava com a camisa que vestia; A melhor amiga de Ana, que é vidente, avisou que Mateus a esperava do outro lado do salão.

Visão Subnormal / visão anormal Termo inadequado. O correto é baixa visão. A rigor, diferencia-se entre deficiência visual parcial (baixa visão) e cegueira (quando a deficiência visual é total).