Palestra alerta produtores rurais sobre riscos do greening e reforça novas medidas estaduais de controle da doença
Secretaria de Agricultura e Segurança Alimentar
Encontro promovido pela Secretaria Municipal de Agricultura e Segurança Alimentar destacou atualizações da legislação paulista, monitoramento obrigatório do psilídeo e a importância da fiscalização fitossanitária para conter a contaminação nos pomar

A Secretaria Municipal de Agricultura e Segurança Alimentar promoveu, nesta quinta-feira (28/05), palestra técnica sobre o greening, considerada atualmente uma das doenças mais severas da citricultura mundial. A atividade reuniu produtores, técnicos, feirantes, permissionários do Mercado Municipal e alunos da Fatec, com foco na orientação sobre prevenção, identificação de sintomas e medidas sanitárias necessárias para conter o avanço da doença nos pomares.
O encontro ocorreu no mesmo período em que o Governo do Estado de São Paulo publicou a Resolução SAA nº 32/2026, que atualiza os procedimentos de prevenção e controle do greening no Estado, reforçando ações de vigilância fitossanitária, monitoramento do inseto vetor e estratégias de combate à doença.
Durante a palestra, o engenheiro agrônomo Julio Toshio Nagase, do Escritório de Defesa Agropecuária (EDA) de Mogi das Cruzes, vinculado à Secretaria de Estaod da Agricultura e Abastecimento, destacou que as novas medidas fortalecem a atuação conjunta entre Estado, municípios e produtores rurais no enfrentamento da doença.
Entre os principais alertas apresentados, está a necessidade de combater a comercialização irregular de mudas e materiais agrícolas sem inspeção e sem quarentena fitossanitária, considerada uma das principais portas de entrada da doença nos pomares.
O especialista reforçou ainda a recomendação para que os produtores adquiram apenas mudas certificadas, provenientes de fornecedores cadastrados junto à Defesa Agropecuária. Outro ponto destacado é que as mudas devem ser comercializadas com substrato comercial, sem terra, medida que reduz os riscos de disseminação de pragas e contaminações.
“O Brasil é o maior produtor e exportador mundial de suco de laranja, referência internacional no setor, com destaque para mercados como Europa, Estados Unidos e China. A citricultura movimenta cerca de R$ 15 bilhões por ano no Produto Interno Bruto (PIB) e gera entre 200 mil e 300 mil empregos diretos e indiretos no país”, ressaltou Nagase.
O greening, também conhecido como Huanglongbing (HLB), é causado por uma bactéria de origem asiática e transmitido pelo psilídeo Diaphorina citri, inseto vetor responsável por comprometer a produtividade das plantas cítricas. Atualmente, não existem métodos curativos eficazes para o controle da doença, tornando a prevenção e o manejo adequado fundamentais para evitar prejuízos econômicos e perdas na cadeia produtiva.
Durante a apresentação, foram abordados os principais sintomas da doença, como manchas amareladas nas folhas, deformações nos frutos, queda precoce e redução da produtividade. O especialista explicou ainda que pomares com incidência superior a 28% podem comprometer áreas vizinhas, exigindo medidas rigorosas de controle e eliminação de plantas contaminadas.
Nagase também orientou os produtores sobre a importância do monitoramento periódico dos brotos e copas das árvores cítricas, locais onde o psilídeo costuma se concentrar. Segundo ele, qualquer suspeita relacionada ao greening deve ser imediatamente comunicada ao órgão regional de Defesa Agropecuária para rápida atuação técnica e sanitária.
A nova resolução estadual estabelece, ainda, o monitoramento quinzenal obrigatório do psilídeo em pomares de qualquer idade, buscando interromper o ciclo de desenvolvimento do inseto vetor. Outra atualização apresentada durante a palestra trata da erradicação de plantas doentes. Em municípios considerados de alta incidência, a eliminação compulsória deixa de ser obrigatória para árvores adultas, permanecendo exigida apenas para plantas com até três anos. Já nas cidades classificadas como de baixa incidência, a erradicação contínua obrigatória independentemente da idade das plantas contaminadas.
As mudanças também incluem novas exigências para o transporte interestadual de frutas cítricas, tornando obrigatórios o processamento e a escovação dos frutos antes do envio para outros estados, com o objetivo de eliminar possíveis vetores da doença.
O secretário municipal de Agricultura e Segurança Alimentar, Renato Abdo, destacou a importância da informação e da conscientização dos produtores para fortalecer o combate ao greening.
“Nosso objetivo é ampliar a orientação técnica e reforçar a conscientização dos produtores sobre a importância da prevenção. O greening representa uma ameaça séria à citricultura e o enfrentamento depende de vigilância sanitária, responsabilidade coletiva e ações permanentes de monitoramento”, afirmou.
Abdo reforçou ainda que a iniciativa integra as ações permanentes da Secretaria, voltadas ao fortalecimento da produção agrícola local, à proteção fitossanitária e à orientação técnica dos produtores rurais, contribuindo para a preservação da cadeia citrícola e da segurança alimentar.
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