Mulheres conquistam espaço e preservam tradição no Mercadão de Mogi
Secretaria de Agricultura e Segurança Alimentar
Ao todo, há 123 permissionários no centro de compras mais tradicional e antigo da cidade; destes, 37 (30%) são mulheres


O Mercado Municipal de Mogi das Cruzes traz em sua história a construção e o desenvolvimento de um comércio popular no qual os homens eram os principais representantes. Hoje, aos 168 anos, o Mercadão, como é chamado pelos mogianos, conta com a presença feminina em diversas áreas. Ao todo, são 123 permissionários no centro de compras mais tradicional da cidade, sendo que 37 (30%) desses boxes são geridos por mulheres.
Neste Mês da Mulher, se destacam histórias de permissionárias que ocuparam segmentos até então dominados por homens e que ajudam a manter viva a tradição do local.
Uma dessas histórias é a de Tânia Gonzalez, que há cerca de duas décadas trabalha no setor avícola - atividade iniciada por uma tia e hoje conduzida por seu irmão. Ao longo dos anos, o trabalho de Tânia no Mercadão foi fundamental para sua vida pessoal. “Foi aqui que consegui criar meus três filhos. O mercado sempre foi um lugar de muito trabalho, mas também de muitas conquistas”, afirma.
No setor de secos e molhados, as irmãs Elza e Elisa Yamato seguem o caminho iniciado pelo pai, Kioshi Yamato, que começou no Mercadão há cerca de 50 anos. Cada uma administra seu próprio box, mantendo a tradição familiar e o relacionamento próximo com o público. “Aqui não é só comércio. Muitas vezes o cliente vira amigo e faz parte da nossa história”, sintetiza Elza.
Já na relojoaria, a presença feminina também chama a atenção. Walquíria de Freitas Silva Coimbra trabalha há 37 anos no Mercadão, sendo uma das poucas mulheres relojoeiras no centro da cidade. Ela iniciou o negócio ao lado do marido, Geraldo Coimbra, e hoje mantém o espaço funcionando com revenda e manutenção. “Cada relógio tem um valor para o cliente; às vezes é uma lembrança de família. Cuidar dessas peças é também cuidar dessas histórias e das pessoas”, diz Walquíria.
Reconhecimento
Para o secretário municipal de Agricultura, Renato Abdo, o protagonismo feminino representa uma transformação importante. “O Mercado Municipal sempre foi um espaço de muito trabalho e tradição. Hoje, vemos cada vez mais mulheres assumindo esses negócios, mantendo o legado das famílias e fortalecendo o comércio local”, pontua.
Segundo ele, essas trajetórias mostram que o Mercadão continua sendo um espaço de convivência e identidade. “Essas mulheres representam muito mais do que comerciantes. Elas fazem parte da história do mercado e ajudam a manter viva a essência desse espaço tão importante para Mogi das Cruzes”, reforça.
Histórico
Carinhosamente chamado de Mercadão, é um dos mais tradicionais pontos de encontro de Mogi das Cruzes. Fundado em 1858, no antigo Largo da Matriz (atual Praça da Catedral Sant’Ana), mudou-se para o endereço atual em 1892 e, desde então, tornou-se símbolo da história e da identidade comercial da cidade. Ao longo das décadas, passou por ampliações e modernizações que consolidaram sua importância como centro de abastecimento e convivência. Hoje, reúne mais de 100 boxes ativos, oferecendo alimentos frescos, pescados, carnes, aves, frios, temperos, produtos regionais, artesanato, utilidades domésticas e serviços diversos. Grande parte das frutas e hortaliças comercializadas no Mercadão é proveniente do Mercado do Produtor “Minor Harada”, fortalecendo o ciclo produtivo local. Outros produtos chegam de diferentes regiões do Brasil, ampliando a diversidade gastronômica e cultural.
Serviço:
Mercado Municipal de Mogi das Cruzes
Endereço: rua Coronel Souza Franco, 440 - Centro
Atendimentos: Segunda a sexta, das 8h às 17h30. Sábado, das 8h às 16h. Domingos e feriados, das 8h às 12h
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